segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Retrato da nova Presidente do Brasil

As eleições brasileiras acabaram ontem. E pela primeira vez o brasil vai ter uma presidente. Para que vocês a possam reconhecer quando a verem na rua, cá embaixo vai uma foto recente dela:


E como o governo precisa de ministros, a escolha já começou. Os primeiros "ministráveis" estão aqui embaixo:


E se você não entendeu este post, a única pista que vou dar é esta página.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Porque o Wikimedia Commons deveria ser mais centralizado nos projectos Wikis (e não só)

Quando falamos sobre o Wikimedia Commons para os wikipedistas que não são falantes nativos do inglês, a primeira coisa que eles dizem é que o Wikimedia Commons é um bom projecto mas é muito voltado para os falantes de inglês, portanto eles somente usam-no o mínimo possível. Mesmo as pesquisas neste site, como eu já citei anteriormente, são feitas em inglês, tornando a simples tarefa de encontrar um ficheiro um trabalho extremamente penoso para aqueles que não falam inglês. E, se fizermos a pesquisa em nossa língua nativa (em português ou francês, por exemplo) o resultado será muito menos preciso e relevante do que seria se a pesquisa fosse feita em inglês.

O Verdadeiro problema não é a língua inglesa, afinal é necessário que haja uma linguagem comum a todos os projectos. O problema aqui são as categorias.

Explicando: As categorias no commons são extremamente complicadas de entender para alguém que não está confortável com a língua inglesa. Para além do facto que esta pessoa normalmente adiciona apenas uma categoria (uma das principais formas de localizar um ficheiro) e as vezes nem isto. Deixam este trabalho para os editores que percebem a língua inglesa e estes o fazem de acordo com seu conhecimento desta língua. E, posso afirmar-vos isto, este trabalho consome muito tempo, e na maioria das vezes estes contribuidores preferem tirar algumas fotos, fazer o carregamento destas mesmas fotos, descreve-las ou reverter vandalismos... Eu me pergunto quantos editores confirmados passam menos de metade do seu tempo no Commons somente a editar categorias...

O que eu normalmente faço quando carrego um ficheiro no commons é definir previamente em que categoria ele se pode inserir, analisar as categorias em questão, corrigi-las se necessário e melhorá-las. Tenho um código em javascript que me permite seguir toda a árvore de categoria, este código - chamado SuiviCat.js - foi criado por um francófono, e como consequência não é muito usado nos projectos anglófonos... Eu ainda lembro-me quando requisitei a sua adaptação para o Wikimedia Commons...

Em facto, se nós procurarmos fora deste projecto, isto é, em outros sites de armazenamento de medias (como o Flickr) o sistema de categorias é normalmente substituído por um sistema de etiquetas. Etiquetas (tags) são úteis, rápidas, simples... mas criam desordem, particularmente com os homónimos. Mau caminho... voltemos então ao nosso querido sistema de categorias.

Em facto as categorias, para resolverem o problema definitivamente, teriam que ser 100% multilingue. Mas isso exigiria que os administradores também fossem multilingues. Porque como consequência disto, os vandalismos em Hindi (por exemplo) serão muito mais difícies de detectar... Neste momento esta ideia parece uma utopia, mas ela tem uma grande vantagem: Pode reconciliar o commons com os contribuidores das diferentes Wikipédias, Wikcionários, Wikilivros, Wikinotícias....

Wikimedia Commons deve tornar-se um projecto realmente internacional. As pesquisas devem ser mais úteis para todos. Cada editor de cada Wikipédia deve perceber quais são as categorias e assuntos dos ficheiros... Até porque, normalmente são as categorias que melhor descrevem um ficheiro. Isto porque nem todo mundo chama-se Otourly, que inclui hiperligações para a Wikipedia nas descrições dos ficheiros do Commons. Ainda pior, as vezes a descrição apenas diz o mínimo e quase sempre o mínimo não descreve o ficheiro correctamente.

Mas isso não é um problema decorrente da língua inglesa, devo admitir... Se olharmos por exemplo este ficheiro: Church_of_the_Nativity_of_the_Theotokos_(Gora_Pnevits)_05.jpg somente o título e as categorias são inteligíveis para alguém que tenha alguma noção do inglês, não há nenhum link para a Wikipédia que nos possa ajudar a saber o que é isto exactamente.

Reconciliar a Wikipédia com o Commons é possível. Podemos citar o projecto Monuments historiques como o perfeito exemplo. O que há de melhor do que os próprios franceses tirarem as fotos de seus monumentos, separa-las, geolocaliza-las (ou apenas geolocalizar a categoria) e oferecer isto a todos? É verdade que normalmente estes ficheiros somente estão descritos em francês, mas eles estão perfeitamente categorizados.

Florian Farge (Otourly)
Membro dos projectos Wikimedia e da l'Association française (Wikimedia França)

Originalmente no Otourly's Blog com o título de "Pourquoi Wikimédia Commons devrait être plus au centre des Wikipédias (et pas que)"

domingo, 20 de junho de 2010

Afeganistão - guerra e minérios

Quando, em 2001, os Estados Unidos resolveram criar uma "cruzada contra Osama Bin Laden" (em represália contra os Ataques de 11 de Setembro), por um tempo ninguém questionou os motivos deles - por serem "óbvios".

Mas quando, depois de mais de 9 anos de "procura", os militares americanos ainda não acharam o sujeito (deve ser realmente difícil pesquisar num país que é menor que o estado do Texas), alguns começaram a questionar os verdadeiros motivos para os Estados Unidos estarem ainda no meio do deserto afegão.

Pois bem, essa semana o motivo veio a tona. E se você era um dos pobres iludidos que imaginavam que os Estados Unidos estavam a tentar combater o terrorismo no Médio Oriente, sinto desapontá-lo (quer dizer, na verdade não sinto). Então vamos lá, o motivo é a módica quantia de mais de 1 bilião de dólares! (1 trilhão - se usarmos a nomenclatura do Brasil)

Aí você, que passou a semana vendo a Copa do Mundo e não viu o noticiário (e antes de você se sentir culpado, perceba que o facto de lançarem a notícia no meio da Copa é intencional para diminuir a visibilidade dela), pergunta: 1 bilião de dólares em que? Em petróleo?

Não, meus queridos. Em cobre, lítio, ferro, ouro e cobalto. Aí vocês dizem: O ouro tudo bem, mas porque cargas d'água o cobre, o lítio e o resto valeriam tanto? Simples meus queridos. Abram vossos telemóveis e me digam de que é feito a bateria deles. Se tiverem preguiça eu digo: Lítio! E o Afeganistão tem tanto Lítio quanto a Bolívia - que é o maior produtor deste minério no mundo. Com relação ao cobre, que é um metal com "poucas" aplicações, o Afeganistão tem reservas para se tornar "um dos maiores exportadores mundiais" do minério. Com o ferro passa-se o mesmo. (fonte)

Agora, vocês devem dizer: Béria, isso é teoria da conspiração. Só porque descobriram agora as jazidas, não quer dizer que é por isso que os Estados Unidos estão lá há 10 anos. E vosso argumento tem lógica, e eu concordaria com ele... se não fosse um pequeno detalhe: Quem descobriu as jazidas foram os soviéticos na década de 1980 (não, vocês não leram errado - foram os soviéticos mesmo, e há quase de 30 anos). O problema é que tais descobertas ficaram esquecidas quando da saída destes do Afeganistão, e só "vieram a tona" em 2004 (e de novo, vocês não leram errado, faz 6 anos que os Estados Unidos sabem disso) quando os "cavaleiros-do-bem" estadunidenses resolveram criar um programa de melhoria da economia americana ops, afegã. Foi aí que eles descobriram "acidentalmente" os documentos soviéticos sobre as jazidas de minério.

Não vou dizer que foi tudo dado de mão beijada para os norte-americanos. Não! Eles pelo menos fizeram os estudos para estimar quanto podiam lucrar com isso ops de novo... para determinar o tamanho das jazidas de minério. Ficaram tão felizes com os estudos preliminares (de 2006) que fizeram um detalhado (em 2007). E, em 2009, foram validados pelo Pentágono num terceiro estudo. (fonte)

Só me vem a pulga atrás da orelha por causa das datas. Vocês repararam? "Descobrem" em 2004, estudam em 2006 e 2007, obtêm resultados surpreendentes e só resolvem validar os dados dois anos depois?? E nem tocaram nas jazidas nesse tempo?? Sei! E eu sou o capuchinho vermelho!

Agora, para poder "desenvolver a indústria" os afegãos vão precisar de um governo estável. E quem são os paladinos da paz e da prosperidade que resolveram ajudar a organizar o governo afegão? Quem, quem?? Pois....

Em resumo: Os afegãos tem os minérios, mas duvido que vá ver um único dólar proveniente deles por muito tempo. Isso se o "Bin Laden" não atacar de novo, e os Estados Unidos resolverem que "para manter a paz mundial" precisam anexar o Afeganistão.

É como já diria o ditado: "Quando a esmola é demais...."

terça-feira, 6 de abril de 2010

Academia Wikipédia

(Interrompemos este blog para uma notícia de extrema urgencia...)

Povo meu, a Wikimedia Portugal (também conhecida como WMP) em parceira com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (vulgo FEUP), vai realizar, no próximo dia 16 de Abril, das 10h às 18h, a primeira Academia Wikipédia, na EXPONOR.

No programa, entre outros, há o Kul Takanao Wadhwa (da Wikimedia Foundation) falando sobre Os projectos da Fundação; a Clara Boavida (do Creative Commons PT) a falar sobre os Direitos autorais e licenciamento no mundo wiki; o Eduardo Pinheiro e Béria Lima (essa que vos fala escreve) a falar sobre a edição da Wikipédia; o Sérgio Nunes (da FEUP) a falar sobre o uso da API da Wikipédia para investigação, além de mais um monte de gente. O programa completo está aqui.

A melhor parte é que a inscrição é gratuita, grátis, de borla e sem custos, e podem ser feitas nesta página. Faça sua inscrição já agora... a correr.

Que ainda estás a fazer cá? Vai logo se inscrever...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Casamento Gay e aula de Política

Povo meu, Portugal aprovou ontem a proposta de lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. E com isso, vai ser (se Cavaco não vetar) o oitavo país do mundo a aceitar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Antes de soltarmos os fogos, e sairmos por aí a elogiar a mente aberta dos tugas, vamos fazer uma pequena analise disto:

Até 1982, ser homossexual era crime em Portugal. Até 2001, nem os direitos da união de facto eles tinham. E agora foi aprovado o casamento. Porque?

Juro que queria dizer que foi porque o povo percebeu que é o mais justo, que não faz sentido negar esse direito. Mas não foi. Foi aprovado agora como agenda política. E porque eu digo isso?

Em 2008, um projecto semelhante foi vetado pelo mesmo PS que hoje se rejubila e enche a boca para dizer que é pela iqualdade. Na altura, uma senhora disse que "os homossexuais podiam ter suas preferências, mas que não deveriam ter o direito de se casarem."

Então, pouco mais de um ano depois, a lei é aprovada, com direito a Sócrates disser que "a medida era parte de seu esforço para modernizar Portugal." Perceberam agora? A lei não foi aprovada em 2008, porque não seria a cara do Sócrates que estaria nos jornais internacionais como sendo "percursor da igualdade".

Não se enganem, isso ainda é um país católico, tanto que, mesmo aprovando a lei, os deputados colocaram a polícia do parlamento para proibir demonstrações de afecto por parte dos homossexuais.

E esse não é o único problema. A lei é boa, mas é injusta. E a forma como ela foi feita também. A forma apressada com que o PS levou a cabo a proposta, dá margem a gritos da direita de que a lei seria inconstitucional. Mais absurdo que isso, a lei prevê que os homossexuais podem casar, mas não podem se candidatar a adopção. E nessa hora eu dou a palavra ao arauto da igualdade, Senhor "engenheiro" José Sócrates, que diz:
[o casamento homossexual é] uma questão totalmente diferente da matéria da adopção, na adopção não está em causa realizar um direito de pessoas livres e adultas. Está em causa, sim, assegurar o interesse das crianças que compete ao Estado. (fonte)
Falou o primeiro-ministro. Daí se traduz: homossexuais são "gente" para casar, mas essas "aberrações" não podem criar uma criança.

Aí você se pergunta, leitor: Porque fazer uma lei assim, fraccionada? Porque não aprovar a adopção junto com o casamento? Simples!! Plataforma eleitoral. E nessa hora damos a palavra ao líder parlamentar do PS, Francisco Assis, que disse:
[A adopção por casais homossexuais] é uma questão sobre a qual se deveria fazer uma discussão. E há agora condições para a fazer. O PS tem um compromisso que agora honrou. Claramente não tem mandato para ir mais longe e por isso não creio que nesta legislatura o PS esteja em condições de apresentar qualquer iniciativa legislativa nesse sentido. (fonte)
Ora veja! O PS está a trabalhar aos pedaços, esse mandato aprova o casamento, no próximo aprova a adopção. Isso que é um partido pela igualdade!! Daí se vê que a discriminação continua em Portugal, só que agora é mais subtil.

De toda forma, pelo mal ou pelo bem, um direito foi adquirido ontem, e embora eu - e outros - não descansemos enquanto os homossexuais tiverem os mesmos direitos que os heterossexuais (casar, adoptar, fazer inseminação artificial, ser família de acolhimento, ter direitos de herança, de guarda legal de menores, etc), devemos estar felizes. Uma vitória foi conseguida ontem, e esperemos que outras se sigam a ela.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Segundas Chances

Tu a ama, ela te ama, mas vocês são simplesmente muito diferentes. Vivem com este problema entre vocês, até que um dia, em que tudo sai simplesmente da pior forma, ela termina a relação. E, logo em seguida, você assiste enquanto ela morre num acidente de viação. Para piorar, nunca disseste a ela o quanto a amava. No entanto, no dia seguinte, ao acordar, percebes que o dia anterior está a decorrer novamente. O que farias?

Inquietante, não? Pois este é o guião do filme que vi esta semana. O filme chama-se "Reviver o Futuro" (ou no título original em inglês: "If Only") e foi lançado em 2004.

Se és uma rapariga, assista com uma caixa de lenços por perto (e leve a sério esse conselho), mas se quiser me desafiar, boa sorte!

Como eu sou um anjo e não quero deixar a Blockbuster ainda mais rica, tá aqui o link para o filme inteiro no Youtube (é a versão dobrada, sorry mas não encontrei a versão legendada).

Divirtam-se!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Advogado do Diabo

Noite passada eu assisti pela centésima vez o filme The Devil's Advocate (do qual gosto bastante). Mas mais do que uma brilhante história sobre advogados (motivo que me levou a ver o filme pela primeira vez), o que mais gosto do filme é uma das cenas finais, o dialógo final entre o diabo (John Milton) conversa com o Kevin Lomax. Mais especificamente gosto da citação do John:
Deixe-me dar um pouco de informação privilegiada sobre Deus. Deus gosta de observar. Ele é travesso. Pense nisso: Ele dá homem instintos. Ele lhes concede esta dádiva extraordinária, e então o que faz, eu juro, para o seu próprio divertimento cósmico, ele estabelece regras opostas. Isto é a maior gozação de todos os tempos. Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula. hahaha. E enquanto você está pulando de um lado para o outro, o que é que ele faz? Ele ri. Ele é um doente. Um sádico, um senhorio relapso. Adora-lo? Jamais.
Para começar, devo dizer que a explicação dele faz bastante sentido. Afinal, quem em sã consciência poderia dizer que o Deus cristão, conforme descrito pelo Catolicismo e pelos Protestantes não faz exactamente o que o "diabo" diz? Mas, antes de me xingar, por favor pense um pouco.

Aliás, essa história de "advogado do Diabo" é uma história cristã (pausa para a cara de espanto). Originalmente o advogado do diabo (latim: advocatus diaboli) era um advogado, contratado pela Santa Sé, para investigar os candidatos a santos e seu dever era olhar cepticamente o processo, procurando lacunas nas provas de forma a poder dizer, por exemplo, que os milagres supostamente feitos eram falsos. A sua função contrastava com a do promotor da fé (latim: Promotor Fidei) cuja atribuição era exactamente o contrário.

Como vemos, tanto o Diabo quanto seu advogado nasceram por causa do Cristianismo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Sobre a Língua Portuguesa

(este post - por não ser de minha autoria - deveria esta no Cruz Sub Rosa, mas posto-o aqui por que tem referência direta com o post logo abaixo)

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.

Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. "Fabricou Salomão um palácio..." E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. A Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.


Fernando Pessoa
(Assinado pelo semi-heterónimo Bernardo Soares in "Livro do Desassossego")

(des)Acordo Ortorgáfico

Olá povo...

Em vigor no Brasil há 4 dias, o acordo ortográfico já deu pano para mangas, camisas, gravatas e vestidos. É o acordo que gerou mais desacordos no Mundo! :-)

Para comecar, um arcodo que visa "unificar a língua portuguesa" deveria ser, no mínino, ratificado por todos os países membros da CPLP antes de se pensar em implementa-lo. Implementar então, deveria ser feita por todos os países, num mesmo dia. Afinal estamos a unificar a língua.

Um acordo que foi ratificado por 4 dos 8 países membros ser colocado em prática apenas em um deles é uma atitute no mínimo temerária (para não dizer idiota!). Não me importa que o Brasil é o maior país de língua portuguesa (grande coisa!), não temos o direito de impor nossa versão da língua sobre todos os outros países lusófonos. Aliás, compartilho eu da indignação do povo português ao dizerem que estão a "abrasileirar a língua". Supreende-me até que Portugal tenha ratificado o acordo.

Ao fim, só veria um beneficio neste (des)acordo: A unificação da ortografia. E pensava eu, ingenua que sou, que ele iria unificar os VOLP's. Mas não enganem-se, Ainda haverá dois VOLP's depois do Acordo: Um "Brasileiro" e um "Português". Oras, passar por toda essa discussão para no fim não unificarmos o idioma é uma burrice sem tamanho.

A mim, enquanto puder, continuarei a usar o trema, a colocar 'c' e 'p' nas palavras e a não adoptar o acordo.... Até que matem a "última flor do Lácio"